Por: Fabrício Azevedo

África

Nas últimas duas semanas estivemos em mais uma viagem pelo continente africano. Desta vez o propósito era visitar três países: África do Sul, Moçambique e Botswana. Fomos aos dois primeiros e desistimos de ir a Botswana de última hora devido à longa distância que percorreríamos de carro, mesmo que nosso motorista fosse eficiente e as estradas ótimas. Enfim, contarei aqui um pouco desta aventura que foi feita em companhia de cinco pessoas: Maria Inêz Madeira, Fábio Barbosa, Emerson Morais, Norma Aloy e Bruno Mariano.

Começamos a temporada por Johanesburgo, a maior cidade da África do Sul. Por lá fizemos a tradicional visita ao “The Lion Park” onde pode-se alimentar girafas e tirar fotos com filhotes de felinos. Próximo dali, visitamos a “Lesedi Cultural  Village” que é um local onde temos experiência com guia a aldeias de quatro etnias diferentes. A visita é feita à pé, por trilhas e conduzida por uma simpática guia. Ao final é apresentado um show de danças e lutas típicas de cada tribo. É uma produção simples, mas que vale a pena, principalmente porque as músicas são cantadas por eles.

Programa obrigatório a cidade é se fazer um tour pelo bairro de Soweto, onde nasceu Nelson Mandela, ícone do país que ganhou o prêmio Nobel e que é um dos nomes mais importantes na história mundial. Por lá, na rua onde morava há um museu que leva seu nome e a rua é muito movimentada com dezenas de lojas e restaurantes. Duas enormes caldeiras foram pintadas para a Copa de 2010. Nesse tour também pode-se passar em frente ao estádio “Soccer City” na qual é deslumbrante e também esticar para visita ao Museu do Apartheid, que já choca na entrada, onde os brancos têm entrada separada dos negros. Em frente ao museu há um parque de diversões que atende ao gosto de crianças e adultos. Também em Soweto podemos observar a pobreza do país e as favelas chegam a ser piores do que as do Brasil.

Também na cidade fizemos a visita à “Mandela Square”, que é o epicentro na cidade e onde existem dezenas de restaurantes, com um sofisticado shopping center. Curtimos a vida noturna em uma boate que em nada lembra que estamos na África. É um night clube que poderia muito bem estar qualquer lugar do mundo, com uma ótima música, drinks internacionais e muita gente bonita.

Nos hospedamos na cidade, na chegada, e ao final da viagem em dois diferentes hotéis, o excelente “Radission Blue Gautrain” e em um hotel residência também muito bom e muito bem localizado, o “West Point Residense”.

Na saída do Radisson tivemos uma surpresa, onde, ao fazermos o check-out, nos encontrarmos com o cantor Rod Stewart que também estava hospedado por lá. Infelizmente, por questão até mesmo de não sermos inconvenientes, não tiramos fotos com ele, que estava ali como um hóspede comum e sem o menor cerimonial. Por três dias, nosso grupo se dividiu: Norma e Fábio foram para Cape Town, no lado oposto de onde estávamos e eu, com os demais, fomos para Moçambique (leia matéria). Antes da separação do grupo, todos juntos fomos ao “Kruger Park”, distante 400 km de Johanesburgo. Por lá, nos hospedamos no excelente River House Lodge, local em que eu já havia me hospedado em novembro do ano passado. Com atendimento nota 10, o Lodge comandado pelo simpático Johan oferece um luxo especial: vista para um rio, em plena selva, onde, por todo o tempo, vemos animais chegarem para beber água e para caçar. Elefantes, búfalos, hipopótamos e outros animais que estão sempre no quintal da pousada. Tivemos a notícia que dias antes, dois leões estiveram por ali e foram a sensação!

Também na região do Kruger, vizinho à pequena cidade e Malalane, visitamos um local que oferece passeio sobre elefantes e também atividades divertidas com os mesmos. Foi uma atração bem especial e muito divertida.

Fomos transportados por dois elefantes e acomodados no da frente, junto com um guia. No que vinha atrás, conduzido por outro guia, uma surpresa: o elefante que vinha atrás, cortava pequenos galhos de árvores e com a tromba, nos oferecia os mesmos. Enquanto não pegávamos o galho de sua tromba, ele não sossegava. Um momento bem especial e nem precisa dizer, emocionante.

Nas matérias dos boxes, o leitor pode acompanhar dicas e sugestões, além de reportagens técnicas sobre algumas atrações citadas.

Acrescento que viajar à África é uma experiência diferente. Não é como uma viagem aos Estados Unidos, à Europa ou para qualquer outro lugar. O contato com a cultura tão diferente nos traz momentos bem especiais.

Eu indico o roteiro para os que curtem uma bela aventura. Para os totalmente cosmopolitas, o passeio não é indicado, a não ser que a temporada seja em Cape Town, que, segundo reportagens contemporâneas, é uma das cidades com a melhor estrutura e qualidade de vida, sendo um dos principais destinos de estudantes em intercâmbio linguístico do planeta.


 

O Kruger Park se extende por uma área de cerca de 350Km de extensão de norte a sul com 20.000 km².

 

“Game Drives”: Game, no inglês sul-africano (e também no jargão da caça), quer dizer animal. “Game drive”, portanto, é o passeio de 4X4 para observar a bicharada. Os game drives costumam durar de 3 a 5 horas e acontecem ao amanhecer e no fim da tarde. (entre US$ 20 e US$ 35 por 3 a 4 horas). A taxa de entrada diária ao parque custa US$ 15 (ZAR 280).  “Game Drives”: Game, no inglês sul-africano (e também no jargão da caça), quer dizer animal. “Game drive”, portanto, é o passeio de 4X4 para observar a bicharada. Os game drives costumam durar de 3 a 5 horas e acontecem ao amanhecer e no fim da tarde. (entre US$ 20 e US$ 35 por 3 a 4 horas). A taxa de entrada diária ao parque custa US$ 15 (ZAR 280).

“Game Reserve”: Por analogia à pergunta anterior, uma “game reserve” é uma reserva natural privada onde também é possível fazer safári.

Os “Big Five”: Nada está 100% garantido ao lidar com a natureza. São: leões, leopardos, rinocerontes, búfalos e hipopótamos. O termo “Big Five”, aliás, vem da caça, e se refere aos animais mais perigosos para o caçador. Estima-se que existam 1.500 leões, 12.000 elefantes, 2.500 búfalos, 1.000 leopardos e cerca de 5.000 rinocerontes brancos e negros dentro do parque.

Como entrar no Kruger Park: usando o próprio carro é mais econômico e muito bom. Mas faça também os “game-drives” com guias nos carros abertos do parque. Limitações: veículos com mais de oito toneladas por eixo não são permitidos e nem motos. Reboques, trailers e ônibus podem circular em áreas limitadas.

Contrate uma caminhada matinal (bush walks) e um night drive.

Dica:  a melhor hora para observar os animais é de manhã bem cedinho ou à noite.Ao meio-dia vários animais encontram-se próximos às poças de água!

 

O que significam as expressões:

“Picnic sites”: áreas dentro do parque onde é permitido descer do carro para comer, descansar, ir ao banheiro e observer a natureza. Geralmente estão em locais mais restritos e de difícil acesso aos animais, ou são cercadas por portões.

“Viewpoints”: são locais adequados para visualização ampla da paisagem e de extensas áreas do parque. Aqui também é permitido descer do carro, mas existem placas alertando que é “por sua conta em risco” (em inglês=> “at your own risk”) .

“Gravel roads”: são as estradas “de terra, cascalho”. Velocidade máxima: 40Km/h. “Tar roads”: são as estradas “de concreto”, amplas. Velocidade máxima: 50Km/h.

“Day visitors”: são áreas onde estão disponíveis os serviços básicos de higiene (banheiros), alimentação (lanchonetes e mesas) e também lojinhas.

“Camp”: área cercada dentro do parque com vários tipos de acomodações (camping ou motorrail, safari tents, bangalôs, Lodges e Guest Houses e os Lodges de Luxo.

Outras Facilidades:

Recepção: tem 1 em cada portão de entrada do parque, e tem as recepções de cada área de camping propriamente dita. Ali se fazem pagamentos, reservas, pede-se informação e tudo mais que necessitar.

Posto de gasolina: tem dentro de alguns campings (12 no total).

Atendimento Médico: tem no Skukuza Camping. Restaurantes e “delicatessens”: nos campings, poucas opções. Aconselho que seja levado alguma coisa ou coma mesmo no restaurante (almoço ou janta- tipo buffet livre com taxa fixa, que não é muito barato).

“Curio Shops”: são as lojinhas de souvenirs de lá.

“Hippo Jessica”: 211km em Hoedspruit do River House Bush and Safar Lodge (R40). O animal mais perigoso do mundo ali querendo beijo e chá quente.

 


Moçambique!

Os países vizinhos da África do Sul, Zimbabué, Zâmbia, Malauí e Tanzânia, tem como capital, a cidade de Maputo. E foi para esta cidade que nos dirigimos e ficamos por três dias. Distante duas horas de carro do “Kruger Park”, na África do Sul, acredito ser destino obrigatório para aproveitar a temporada. O preço do visto de entrada é de cerca de R$ 200,00 e o visto pode ser feito na fronteira, mediante apresentação de passaporte e carteira internacional de vacinação contra febre amarela. A moeda é o metical, que vale cerca de 0,05 centavos de reais. O preço de tudo é  um pouco abaixo do Brasil. O país, que ficou independente somente em 25 de junho de 1975, enfrentou greve civil e exibe contrastes sociais em enorme proporção.

Se compararmos a cidade com o bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, podemos ter um panorama geral da cidade: riqueza demais próxima de pobreza absoluta.

Na imigração já nos causa impacto a primeira visão da pobreza que estaria por ser observada por toda a capital. Em igual proporção, observamos o sorriso largo e a educação das pessoas. Isso é característica do país e além da experiência pessoal, em todos os artigos que li, consta esta observação.

Nos hospedamos no novíssimo “Maputo Afecc Gloria Hotel”, inaugurado em outubro do ano passado. Já observei que a “politicagem” rola solta por lá, visto que o hotel foi inaugurado pelo presidente do país e é de propriedade de um grupo chinês, que aliás, é o povo (ou as empresas) que executam as grandes obras estatais no país. Eles, os chineses, e elas, as obras estão por todo lado.

O hotel, um 5 estrelas, é espetacular. Tudo de altíssimo luxo, bom gosto e com atendimento diferenciado, visto que além do preparo, vem com bônus da simpatia dos funcionários, em sua maioria, nativos. Fizemos até um bom amigo por lá, Carlos, que nos acompanhou em passeios e jantares. Carlos, diga-se de passagem, tem experiência de vida sofrida, órfão, 26 anos, casado há 3 anos e com uma filha de um aninho. Ele é formado em Engenharia mas não conseguiu emprego na área. Contou ele que grande parte da mão-de-obra no setor e também em outros, vem de fora. E nem precisa dizer que são chineses. Enfim, isso é assunto para outra ocasião.

Carlos mora em uma casa de dois cômodos: quarto e sala. O banheiro é externo (privada com poço). Chuveiro não tem. Isso é luxo na periferia. O banho é em bacias. Quando possível, com água quente. Carlos tem sonhos, planos, simpatia singular, inteligente,bonito e tomara que a vida lhe proporcione oportunidades.

Voltando a falar sobre Maputo, apesar do luxo deste e de outros hotéis na orla, a praia é imunda. Imunda mesmo. Lixo está por toda a extensão, bem como esgotos escoando pela areia. Muita sujeira. Muita gente tentando vender desde peixes e souvenirs. Enfim, gente que está sofrendo e lutando para sobreviver com dignidade. Tivemos a tristeza de ver um grupo de crianças retirar comida de lixeiras e se alimentarem. E não foi só uma vez. Uma situação de partir o coração.

As praias boas são distantes da cidade. Não fomos a nenhuma. Existe um cassino na Orla e os melhores bares e restaurantes deixam muito a desejar no que se refere à estrutura e apresentação. A comida é boa e o atendimento, naturalmente, muito simpático, porém, modesto.

Fomos até o Mercado do Peixe, localizado na principal orla da cidade. O local poderia até ser bacana. Mas não é. Está decadente. E muito. Há por lá um mercado e vários restaurantes no entorno. No mercado, dezenas de pescadores vendem seus produtos, frescos. Isso é bacana, pois há muita oferta e camarões e lagostas enormes. Você pode comprar o produto por ali e escolher seu restaurante. Levam os peixes e eles cobram apenas a mão de obra. Mas os restaurantes, que na verdade, são pequenos estabelecimentos com mesas na área externa têm atendimento precário, mesas e guarda-sol velhos e furados. Tudo é barato, mas nem assim se justifica a precariedade. Os banheiros são coletivos e em péssimo estado. Lamentável, pois o que poderia ser um belo passeio acaba por ser uma decepção.

Na verdade, não existem muitas opções de turismo. Existem museus, centros culturais e o comércio é bastante popular.

Em minha avaliação, uma vez estando na África do Sul (“Kruger Park”), dar uma chegada até Maputo é bem indicado. É passeio para dois dias e no caso de se visitar as praias, pode-se estender um pouco mais. É uma experiência. É um choque cultural. É aprendizado!

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