Entrevista Walter Sylva: Uma história cheia de histórias!

Por Fabrício Azevedo

Waltinho, como é conhecido pelos familiares e amigos está com 57 anos e tem 4 filhos , frutos de três relacionamentos. É filho do saudoso Sr. Antônio Izaías e da Sra. Waldete Bernardes. Tem dois irmãos Antônio Carlos e José Aparecido.

A filha mais velha é Pâmela que mora em Miami, a segunda é Dara , o terceiro é Ítalo e o caçula, Igor.

No mês de setembro, seu jornal CONEXÃO comemorou 21 anos e completou 300 edições, ocasião em que ele reuniu alguns amigos e clientes para uma noite de confraternização.
Nascido em Japaraíba, veio para Lagoa da Prata com dois anos de idade. A infância foi passada na casa da família, na rua Rio Grande do Norte. Pouco tempo depois, a família mudou-se para outra casa, próxima àquela, na rua Mato Grosso, onde residente no momento. De lá, morou em outros endereços enquanto esteve casado, em outras cidades e em outro paí
Sua primeira mudança foi para São Paulo em 1977, onde morou por 4 anos, trabalhando em um banco. Depois disso, voltou para Lagoa onde trabalhou por um período de pouco mais de um ano como “rifeiro”. Confessa que ter trabalhado nesta área, que é tão importante na economia da cidade, que foi bom financeiramente, todavia, não era sua área. Reconhece que é um trabalho muito árduo e que admira os que nesta profissão perduram.

Antes disso Waltinho atuou em diversas profissões e trabalha desde os 10 anos de idade. Foi engraxate, garçon , ajudou a mãe a vender quitandas na antiga Usina Luciânia. Recorda que que por algumas ocasiões, foi à pé até a Usina ( cerca de 6 quilômetros) em estrada de terra, para vender “bolos e biscoitos”.
E entre revezamentos profissionais, deu um passo maior em 1988, quando foi para os Estados Unidos. Isso aconteceu porque seu primo , o policial Walter Izaías havia se mudado para lá e o chamou para ir também. Para tanto, o primo pagou sua passagem e ele embarcou para Dambury, em Connecticut , cidade próximas uns 40 minutos de Nova York.
Ao chegar à América, em menos de duas horas já começou a trabalhar na rede de sanduíches Burger King, onde ficou por 7 anos. Paralelo a este trabalho, “fez bicos” em outros locais, como em uma escola onde lavava pratos.
Nos dias e em horários alternativos, que o americano chama de “ part –time”, o nosso conhecico “bico”, trabalhou também em clubes e boates nova-iorquinas. Nestes ambientes, chegou a lavar banheiros e como assistente em guarda-volumes. Nestes casos, ganhava somente gorjetas, mas como o americano tem tradição nisso, era bem remunerado.
O objetivo nos Estados Unidos era juntar dinheiro para voltar ao Brasil. Inicialmente pretendia ficar por dois anos. Acabou ficando 7. E conseguiu seu objetivo. No retorno, comprou lotes, casa e carro, além de telefones, pois naquela época, eram caros e eram considerados patrimônios. Comprou umas 5 linhas e alugava. O valor do aluguel de telefones chegava a meio salário mínimo.
Sobre a vida na América, lembra que praticamente não tinha vida social. Era trabalho e mais trabalho. Dava para se divertir às vezes, mas o objetivo em conseguir juntar dinheiro era maior que tudo, até mesmo, para poder voltar mais rápido ao Brasil.
Naquela época, por lá, tinha muita vontade de conhecer a Disney, que foi o único passeio que chegou a fazer com a então esposa e a filha.
Não chegou nem a conhecer a Estátua da Liberdade, afinal, não tinha tempo e quando sobrava algum, precisava descansar. Quando estava por lá, lembra de um show histórico dos cantores Paul Simon e Jean Garfunkel, no Central Park. Sonhou em ir, mas não conseguiu. Este show é eternizado até hoje como um dois mais importantes acontecimentos musicais de todos os tempos.

Quando retornou para Lagoa da Prata, sentiu-se em “ outro planeta”. Sentiu-se muito estranho. Havia se acostumado com o jeito do americano de viver e de respeitar as leis.
Sentiu claramente como nosso país deixava a desejar ( e ainda deixa) em vários aspectos. Também perdeu amigos e parentes quando esteve fora. Eles faleceram e ele não pôde estar presente.
Passou alguns dias passeando pelo nordeste e em seguida, montou uma pequena loja de bichos de pelúcia, para atender aos “rifeiros”. O negócio não deu certo. Segundo ele, os clientes não pagavam e ele havia se esquecido da instabilidade financeira em que sempre está o Brasil.
Também foi voluntário da Novo Caminho e ASFER “casas de recuperação”.
Waltinho sempre teve ligação com eventos. Na América chegou a fazer alguns como Garota Copa e um empresarial nos moldes de Melhores Empresas , direcionado a brasileiros bem sucedidos por lá. Também realizou alguns desfiles variados.
O jornal CONEXÃO começou porque ele havia dado uma entrevista na Rádio Tropical para o então locutor Jota Lee. A reportagem fez muito sucesso e em seguida foi convidado para contar “causos” no jornal O Papel. Começou assim , com uma coluna que se chamava “Sovaco de Cobra”. Em seguida migrou para o colunismo social, onde teve uma coluna intitulada Coluna Vip.
Pouco tempo depois, montou seu próprio jornal. E de lá até os dias atuais já foram 300 edições e vários eventos produzidos, como o Dakota Elite Models, que revelava talentos para a principal agência de modelos do mundo na época, a Elite Models.
Foram vários shows de calouros no antigo Cine Vera Cruz e eventos variados . As festas de aniversário do jornal também eram muito bacanas e reunia gente da sociedade local e regional. Para estas ocasiões ele sempre trazia convidados especiais, como o ex-jogador Dadá Maravillha, o ex-jogador Wilson Piaza e a artista plástica Yara Tupinambá.
Waltinho é uma pessoa querida da cidade. Sempre de bem com a vida, mesmo com suas reviravoltas , prestigia os amigos e também é prestigiado pelos mesmos.
No plano profissional, tem projetos, um deles na área imobiliária, mas isso ainda está em estudo e correndo tudo bem, em breve será colado em prática.
Com orgulho, dá valor às suas conquistas e como “Bon Vivant”, gosta de curtir a vida e valorizar os bons momentos. É grato a várias pessoas, inclusive à Solange e o Gilberto ( Divina Gula), que sempre o apoiaram. É grato a vários outros amigos mas prefere não citar nomes para não correr o risco de esquecer nomes importantes, os quais é tão próximo que se sente quase membro de suas famílias.
Como é um apaixonado por Lagoa da Prata, fica entristecido em ver várias coisas ruins acontecendo, principalmente no que ser refere à violência. Espera que algo seja feito o mais rápido.

Finalizando a matéria, Walter nos contou da satisfação que tem em conseguir coisas que no passado não conseguiu. Vejam bem: ele morava perto de Nova York. Sempre via a Estátua da Liberdade, passando de trem ou de ônibus, mas nunca conseguiu ir até lá a passeio. Mas agora, consegue realizar sonhos antigos, como foi em recente viagem para Europa.

 

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