“Geralmente acontece nas histórias o que o autor quer que aconteça. Mas, vez por outra, os personagens de repente resolvem dizer o que pensam”.
Abordei nesta coluna, a uns 2 meses, sobre o ATESTADO MÉDICO DEMISSIONAL e da importância do trabalhador exigir ser avaliado quando da consulta. Nesta semana, com ampla publicidade na mídia, veio a tona a alegada farra de venda de ATESTADOS MÉDICOS a servidores públicos municipais. Que o zeloso MP, além de defender o patrimônio público, estenda sua ação investigadora de maneira mais ampla, considerando que hipotética venda pode envolver não somente pessoas físicas que objetivam receber sem trabalhar, o que, obviamente, é inaceitável.
 
Em relação à divulgação do vídeo da servidora Rosely Maria de Souza Silva (parte da gravação nas dependências do fórum), depoimentos sobre, matérias nos diversos canais de televisão, comentários nas redes sociais, a pergunta é:
 
-Formalmente, a acuada servidora já deu a sua versão dos fatos? Já se estabeleceu o ius contradictoria?
 
Se a intenção dos responsáveis pela ordem Jurídica e do Executivo era fazer com que se estanque dita venda de atestados, acertaram em cheio. É pouco crível que algum profissional da saúde e servidores envolvidos na fraude – se existente – se atrevam a apresentar um atestado desta estirpe, agora ou no futuro.
 
Em relação especificamente à servidora em questão, imperioso dizer, ao contrário do imaginado, que a “sentença” ainda não foi dada e as declarações prestadas ao MINISTÉRIO PÚBLICO não encerram a questão. Ela tem direito a apresentar sua versão dos fatos, notadamente sobre o que não foi questionada.
 
Versão que pode passar pela afirmativa de que nunca comprou um atestado de quem quer que seja. Que foi atendida por médicos diversos, de diversas especialidades, todos indicados. Que esteve afastada em AUXILIO DOENÇA pelo INSS por quase todo o ano de 2014 (o que equivale dizer que a autarquia comprovou suas enfermidades no período). Que está sendo assistida por médico psiquiatra desde 2013 sem nenhum receio de prestar esclarecimentos, se instado.
 
Espera-se que o Município abra um processo administrativo para se investigar a questão, oportunidade da servidora apresentar suas provas e argumentos. Que também servirão à Justiça Comum, se denunciada. Se moralmente é repugnável a apresentação, por quem seja, de atestados médicos “comprados”, o é também a condenação antecipada. Que pode até advir, não sem antes se ouvir o outro lado. A justiça agradece! A dos homens e a aquela ali na frente, a divina.

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