Por: Toninho Sampaio

Será que dá para, pelo menos uma vez, prestar atenção ao que eu estou dizendo?

Hoje eu acordei com saudade de você, beijei aquela foto que você me ofertou.

O meu cabelo não está bom. Você acha que eu deveria cortar, ou apenas pintar?

Queixo-me às rosas, mas que bobagem, as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti.

Acho que vou vender esta mesa e estas cadeiras. Não aguento mais olhar para elas. Aproveito e vendo também esta cama.

Se ao menos você chorasse, se você morresse, mas você não morre. Você é duro, José!

O menino da Mirinha está com uma virose. O médico não sabe o que é, então fala que é virose.

Coisas do mundo, minha nega. Quem não gosta de samba bom sujeito não é. Ou é ruim da cabeça, ou é doente do pé.

Ainda ontem eu vi ele. Estava tão alegre, cheio de planos. Não acredito que ele morreu.

Quando Ismália enlouqueceu, pôs-se na torre a sonhar. Viu uma lua no céu, viu outra lua no mar.

Que você acha? Vou de azul ou de amarelo? De preto eu não vou, porque está muito quente e eu tenho certeza de que todas as outras vão de preto.

O que importa para mim não é a cor de seus cabelos, a textura de sua pele. Eu amo o imponderável, a brisa, o cheiro do vento, o inconsciente, o inconsequente.

A comida está pronta. Está na mesa. Vai esfriar. A coisa pior do mundo é fazer comida e ninguém dar valor. Fica ali, esfriando e ninguém vem.

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça é essa menina que vem e que passa, num doce balanço a caminho do mar.

Marquei meu médico para depois de amanhã, às três horas. Você vai ter que me levar ao Rio.

Nossa mãe, que vestido é aquele, vestido naquele prego? Cala a boca, minhas filhas, vosso pai evém chegando!

Você vem ou não vem almoçar?

Nem só de pão vive o homem. O Filho do Homem é senhor também do sábado.

Vai ter o show do Roberto Carlos, dia vinte. Compra dois camarotes, que eu quero ir.

Em verdade, em verdade vos digo: não construireis para vós imagens para adorardes.

Essa dor nas costas não passa. Já consultei tudo o que é médico. Vou procurar uma benzedeira.

Veja ilustre passageiro, o belo tipo faceiro, que você tem ao seus lado. Mas, no entanto, acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o rum creosotado.

Já vou dormir. Estou morrendo de sono.

Esta noite eu quero te ter. Toda se ardendo só pra mim. Esta noite eu quero te ter, te envolver, te seduzir.

Eu queria tanto entender essa coisa! Por mais que eu pense, eu não chego a lugar nenhum.

Dai, pois, ao Vosso servo um coração sábio, capaz de julgar o Vosso povo e discernir entre o bem e o mal.

Está faltando margarina, cera líquida e banana.

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos, uma história pra contar de um mundo tão distante.

Essa mesa está cheia de manchas. A empregada fica doida pra ir embora, faz tudo correndo.

Duchas corona, um banho de alegria num mundo de água quente.

Hoje eu não vou dormir em casa. Vou ter que dormir com a mamãe. Ele está meio doente.

Se acaso me quiseres, eu sou dessas mulheres que só dizem sim. Por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, um botequim.

Você vive gastando o nosso dinheiro com bobagens. O mês está longe de acabar e o nosso dinheiro já acabou.

E se tiveres renda, aceito uma prenda, qualquer coisa assim: como uma joia falsa, um sonho de valsa ou um corte de cetim.

Acaba logo com esse banho, olha a energia. Depois você fica reclamando que a luz está cara.

Se a dona se banhou, eu não estava lá, por Deus Nosso Senhor, eu não olhei Sinhá.

Hoje tem missa e coroação na casa da Mirtes. Vai ser às oito horas e nós temos que ir.

Por que te preocupas? Todas as tuas preocupações não serão capazes de acrescentar um só minuto a mais em teus dias.

Você não me ama mais. Não está nem aí para mim.

…eu possa me dizer do amor (que tive): que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.

Você não presta a mínima atenção ao que eu digo. Parece que está no mundo da lua. Qualquer hora eu arrumo a trouxa e desapareço.

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto, eu tô voltando. Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama, eu tô voltando. Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor que eu tô voltando. Põe pra tocar na vitrola aquele som. Estreia uma camisola, eu tô voltando. Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó, que eu tô voltando.

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