CAPITAL x TRABALHO

Em qualquer conversa informal de patrões acerca da Justiça do Trabalho, esta é qualificada como a industria da extorsão. Que ela vem minando, gradualmente, ao longo dos anos, a saúde desses heróis que geram empregos e riquezas num país sem futuro. Que é uma das responsáveis diretas na composição do Custo Brasil e, principalmente, que uma ação trabalhista virou uma alternativa de renda para trabalhadores e  advogados sem escrúpulos. Muito bem!

Entretanto, em contraponto, e “a verdade cheira mal“, na verdade o que ocorre é um descumprimento corriqueiro por parte da maioria das empresas de suas primárias obrigações trabalhistas. Salta aos olhos a tentativa de transferência de irresponsabilidades ao alegado protecionismo.

É discurso do passado e sem conhecimento, quem afirma que todas as sentenças são favoráveis ao trabalhador. Sejam bem representados e peitem na eventualidade de corretos, que terão uma pronta e justa resposta. O Judiciário atual é composto de magistrados antenados, que, como as empresas, também evoluem. Obviamente que não podem passar em cima da CLT, mas os argumentos dos dois lados são observados e respeitados, igualitariamente.

Inegável que é necessário uma flexibilização com os direitos sendo negociados entre as partes e isto fatalmente ocorrerá. Por ora, existe um ordenamento, ainda que ultrapassado, o qual o empresário – de qualquer tamanho – tem que respeitar. Ou não?

Querem saber? Hoje na Justiça do Trabalho existem empresas, figurinhas carimbadas, que praticam a tática do risco: “descumpro com 50 e se 5 me acionarem, é lucro!”. E existem centenas de patrões que nunca foram ou são pouquíssimos acionados, ainda que descumpridores deste ou aquele direito. É que estes, inato ou pensado, tratam o trabalhador com respeito, como gente, como um colaborador, crescem sem exploração da mão-de-obra e as vezes muito bem remunerando, sabem demitir sem humilhar.

Naquela mesma conversa informal poderia ser sugerido por exemplo, que os patrões nunca executassem ou até oferecessem o perdão a quem lhes devessem algum dinheiro fruto de uma venda qualquer. Aí sim, seria equivalente a se mandar pro inferno todos os advogados trabalhistas que escolhem, pela mais legítima opção, trabalhar em favor do reclamante.

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