Saudade do Carnaval

CarnavalAcabo de chegar de viagem nas minhas merecidas férias e me dou conta da polêmica sobre o carnaval. Vai ter, não vai ter, deve ter, não deve, cidades próximas não têm, Lagoa não pode ter e por aí vai… Cada um com a sua opinião, cada um com a sua vontade. Mas a vontade política é que deve usar o bom senso e decidir pelo povo, com o povo e para o povo. E o povo adora essa festa. Pena que em nossa cidade há muito ela vem sendo distorcida, perdeu a identidade e ao invés da folia que é a sua marca principal, o que vemos são blocos animados por tudo, menos por marchinhas e fantasias. Não temos a tradição das brincadeiras, dos desfiles, dos concursos de blocos e nem o colorido das roupas que dão o toque da festa. Confete e serpentina ficaram no passado. Assim como ficaram esquecidos os foliões, as marchinhas e o ritmo que mexia com a nossa vontade de sair pelo salão dançando e curtindo as noites que eram o retrato da alegria.

Há muito que vemos só espectadores sem graça, olhando uma praça apinhada de gente que simplesmente anda pra lá e pra cá com latinhas e garrafas na mão ao som de axés e achados que são verdadeiras aberrações musicais. Nosso povo perdeu a criatividade e a magia para fazer essa festa. Só fazem farra, o que é muito distante dessa festa que querendo ou não, faz parte do nosso folclore, é uma alegoria que tem tradição histórica, tem explicações religiosas e portanto tem razão de ser. Só não poderia perder o seu caráter de alegria e descontração para quatro noites de bebedeira e promiscuidade.

Então talvez seja hora de dar mesmo uma parada e fazer uma reviravolta nessa festa, criando uma identidade mais bonita, mais convidativa para o nosso povo que se esconde dentro de suas casas nesses dias para dar lugar a tanta gente que vem de fora, seduzidos pela extrema liberdade de ser que encontram nesse espaço onde isolaram o nosso carnaval. Já é tempo de colocar mais alegria nas ruas, deixar as crianças nas praças correndo alegres e soltas ao ritmo de músicas que realmente lembrem o carnaval. É só lançar o desafio. Cultura e tradição é a gente quem faz, e temos gente competente de sobra para alavancar uma festa que deixe saudade e que nos faça ter vontade de ir para a rua, sair do sério, pintar a cara e vestir fantasia para fazer de conta que a vida é só alegria. Carnaval é isso: entusiasmo que contagia, excesso de alegria. E se os organizadores optarem por não ter, francamente, para o nosso sono urbano não vai fazer diferença. Só vai fazer lá pelos arredores da praia, onde o silêncio vai reinar sozinho…

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