A bandeira de Minas

Como é bom ver as montanhas de Minas, quando a gente anda longe, buscando paisagens diferentes.  Esse Brasil imenso presenteia nossos olhos com lugares que mais parecem miragens, de tão lindos que são. As praias de areias brancas, a mata Atlântica, os campos de cereais espalhados no caminho, as muralhas de pedras, que os homens vão dilapidando aos poucos em nome do progresso, os rios que vão demarcando as cidades, espalhando vida ou carregando a sujeira dos homens,  e assim vai… São muitos os lugares que os nossos olhos vão analisando enquanto percorrem caminhos, sejam eles pelas estradas ou pelos ares.

 

Quanto mais distante de Minas, mais variam os costumes, embora a gente seja a mesma. E depois de matar a vontade de mudar de ares, bate a saudade… Saudade do cheiro doce do café da manhã,  com bolinho frito ou pão de queijo quentinho, que é mania de todo mineiro. Do cheiro das fazendas, da fartura da roça, do jeito caipira da nossa gente.

 

Até o falar, dá saudade na gente, esse uai que  só se  encontra por aqui, e o trem, que lá fora, ninguém entende. Trem bão de fazer, trem de comer, trem pra tudo que a gente quer dizer. E a gente nem se importa com o olhar enviesado, uma crítica velada do nosso modo de ser. Fazer o que, somos assim e assim vamos sempre ser. Mineiros na simplicidade, na hospitalidade, no jeito alegre de viver a vida. Minas  é assim, contagia a gente com a sua beleza, com a sua alegria e naturalidade.

 

Vamos para as cidades históricas e lá está a beleza do antigo contrastando com o novo, numa dualidade do passado com o futuro em perfeita sintonia. Nos casarões antigos a harmonia dos tesouros da época disputando espaço com o artesanato moderno que o comércio oferece. Tudo uma riqueza só.

 

E nas calçadas  em volta, a comida mineira com seu cheiro inebriante do feijão tropeiro, da pururuca que estala nos dentes, das carnes tenras que cheiram a mil metros, convidando a gente para a gula que Deus perdoa, porque em Minas não tem quem não ame a nossa mesa. E o queijo em profusão, o doce de leite e de goiaba, mistura gostosa que só o mineiro sabe como fazer tão bem. As broas de fubá e biscoitos da terra, herança  do tempo dos escravos que aqui viraram tradição.

Êta trem bão, sô. Mineiro é assim, diferente no jeito de comer, de falar e até de politicar. Aqui o povo não passa despercebido das tramóias políticas, está sempre antenado e vai à luta, sem medo de clamar por justiça. Dizem que mineiro faz as coisas em silêncio, não é de se vangloriar. E não é mesmo.

Quando o mundo vê, já estamos acontecendo,  enfrentando a maré, porque mineiro não foge de briga. Principalmente se tem razão.  Uma mostra disso é a nossa história com os grandes nomes mineiros que mudaram o rumo desse país.  Pois é, Minas não é pra qualquer um, é para nós que a merecemos com sua beleza e sua tradição, ajudando o Brasil a caminhar nos trilhos para ver se aprende o rumo certo. E a bandeira de Minas deveria chamar nosso povo à razão, porque diante de tanta desordem e falta de progresso, a igualdade, a fraternidade e a liberdade, tríade inspiradora da bandeira francesa, que inspirou o lema  “Liberdade ainda que tardia”, já não  tem muito mais razão de ser nesse tempo de tanta aberração.  A liberdade é soberana em nosso país, já não temos mais que bradar ou que morrer por ela.  O que é preciso agora é uma bandeira que realmente responda aos gritos de nosso povo, como “ Honestidade, dignidade e lealdade,” pois somente quando o povo brasileiro abraçar esses valores é que cessará a vergonha de ver tanta lama e podridão sendo espalhada pelos vendilhões de nossas riquezas, nossa fé e nosso progresso. Até lá, vamos acenar a bandeira com o sonho da “Verdade, ainda que tardia”…

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