Posts byToninho Sampaio

Desencontros

Por: Toninho Sampaio Será que dá para, pelo menos uma vez, prestar atenção ao que eu estou dizendo? Hoje eu acordei com saudade de você, beijei aquela foto que você me ofertou. O meu cabelo não está bom. Você acha que eu deveria cortar, ou apenas pintar? Queixo-me às rosas, mas que bobagem, as rosas
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FANTASMAS

Os fantasmas são uma instituição social.  Fazem parte de nossas vidas.  Temos necessidade deles quase como de respirar.  Existem aqueles que nos foram transmitidos e aqueles que criamos ao longo de nossas vidas.  Desde a mais tenra infância aprendemos a conviver com eles. Participam de nossa educação e, sem eles, talvez não fôssemos a sociedade
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Um caminhão de foguetes

Deviam ser onze horas, um pouco mais, um pouco menos. Eu acabara de me deitar, quando escutei os primeiros tiros. A princípio, pensei que fosse algum vizinho comemorando uma data festiva. Mas os estampidos não só aumentaram como se diversificaram. Eram tantos que me incomodaram. Resolvi sair à rua para ver de quem era a
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MATINHO BOM

O lugar era pequenino, população estimada de duzentos habitantes, Santa Cruz da Serrinha era o subdistrito de um distrito. Ou seja era vice de coisa nenhuma. Vida parada, pouco assunto, nenhuma novidade. Os dias transcorriam monotonamente, com manhãs mornas, tardes escaldantes e noites solitárias, nos verões sem fim, e manhãs e noites enregelantes nos invernos.
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TELEFONEMA

Outro dia eu estava pensando na história de Lagoa da Prata, nos acontecimentos recentes daqui e do Brasil. Fiquei imaginando o que as pessoas que se foram, se pudessem voltar, achariam da situação. Resolvi arriscar e ligar para o céu. Quem sabe, se eu desse sorte, poderia conversar com algum conterrâneo. Me atendeu um anjo
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NO DIVÃ

Estava sentado meio de costas, falando o que lhe vinha à cabeça. Repetia essas sessões há tanto tempo que nem se lembrava mais como tudo começou. A princípio sentia medo, depois, pânico. Sim, foi aí que começou: “noite passada eu acordei no meio da noite com um barulho. Depois houve um silêncio, mesmo assim eu
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MULHERES

A NEGRA Ela era negra, baixinha, jovem, quase menina. Seu nome: Ercília. Trabalhava em nossa casa. Era uma mocinha doce e tímida. Ao se crismar, convidou-nos para padrinhos. Seu pai um homem austero e bravo. Cara fechada. Nenhum sorriso. Homem de criação antiga, para quem a honra e a palavra empenhada estavam acima de tudo.
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EU MAIS MEU IRMÃO DONIZETE

O dia estava quente e, na sala do delegado, mais quente ainda. O cômodo era pequeno, entulhado de móveis, gavetas, escrivaninhas, armários e arquivos. O delegado, com seu bigodão, sentado desconfortavelmente numa cadeira que rangia cada vez que girava seu corpanzil, sacou um lenço encardido do bolso e limpou pela milésima vez o suor da
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Há solidões aqui

Acordei com um pequeno solavanco do carro. A viagem corria tranquila e conversavam à minha volta. O som vindo de diversas vozes ajudava a embalar o sono. Reparei no jovem que dirigia o veículo. Conversava de forma grave. Sério, prestava atenção à estrada. Mais atento, vi que não era tão jovem assim. Vi também que
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Filho Adotivo

Lagoa da Prata perde um filho adotivo. Simpático, carismático, cheio de alegria, Rinaldo Duarte Bueno, o Tamburete, nos deixou. A partida foi repentina, sem tempo para as despedidas e com tempo de sobra para as lágrimas. Temos que agradecer à cidade de Luz por nos ter emprestado um filho tão ilustre. Como na canção do
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