Por: Beatriz Vasconcelos

Chiquita Perillo

Personagem de histórias riquíssimas de amor, Francisca Perillo de Araújo é muito bem reconhecida pelos lagopratenses quanto a seus trabalhos sociais com o Núcleo do Câncer, hoje Fundação Chiquita Perillo. Aqueles que puderam conviver mais intimamente com essa mulher garantem que, muito além de caridade, ela deixou grandes exemplos de como ter uma vida plena. Em tudo que fazia, dona Chiquita era intensa. Engana quem pensa que, por ser ela a presidenta do Núcleo do Câncer, atuava somente com trabalhos administrativos. Pelo contrário. Ela se compadecia com as pessoas assistidas e não escolhia tarefa para fazer, simplesmente fazia o que era preciso. Limpava as feridas dos doentes, em muitas situações arrumava ela mesma as suas casas e fazia a comida também. Como matriarca, manteve firme a união da família, e até hoje os filhos são obedientes nesse quesito. Eles se reúnem semanalmente para um lanche, e também para o almoço de domingo, do mesmo modo que acontecia quando os pais eram vivos. Além disso, dona Chiquita promovia grandes encontros com os amigos, e neles sempre houve muita alegria. Ela Jogou vôlei até os 73 anos de idade, andava de moto e fazia trilhas. De vez em quando esbanjava adrenalina num ultraleve. Como autêntica descendente de italianos, dona Chiquita gostava de cozinhar pratos bem elaborados. Apreciava muito as plantas e hortênsias eram suas prediletas. Muito religiosa, era bem ativa nos movimentos católicos. Também era dona de uma personalidade forte, determinada e ao mesmo tempo afetuosa. Essa plenitude de vida brindou a cidade com uma história Shakespeariana na vida real. Dona Chiquita tinha 54 anos de casamento com o Sr. Iracy Pereira de Araújo, e estava doente, com leucemia. O marido, pensando na brevidade do que estava para acontecer, andava dizendo que não suportaria viver sem a Francisca, por isso havia pedido a Deus para que, tão logo a levasse, que ele pudesse ir junto. E foi assim, um casamento que nem a morte separou.  O sr. Iracy teve um infarto e morreu três horas depois do falecimento da dona Chiquita, sem que ele tivesse recebido a notícia sobre ela. Para os familiares, um fato que foi difícil de aceitar, mas fácil de entender.

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